Segundo dia em Cape Town: Victoria & Alfred Waterfront (20101022)

Em nosso segundo dia em Cape Town (22/10/2010, Sexta-Feira) tomamos café da manhã no hotel (Southern Sun at the Watefront) e voltamos ao Victoria Wharf – na verdade, ao Victoria & Alfred Waterfront (Alfred, pelo que consta, era o príncipe, filho da rainha). O Waterfront é todo um complexo que é maior do que apenas o Victoria Wharf, que é o shopping convencional (chique e bonito) que faz parte do complexo. Há, fora do shopping, propriamente dito, vários blocos de lojas de artesanato, hotéis, restaurantes, o aquário da cidade, um estaleiro para barcos de pequeno e médio porte, uma marina… É uma beleza de lugar. Vide a foto:

Cape_Town-Victoria_and_Alfred_Waterfront

Victoria Wharf - 2

O Victoria & Alfred Waterfront faz-me lembrar o “harbor” (ou, se preferem, à inglesa, o “harbour”) de Victoria, na British Columbia, Canada – cidade que tem o mesmo nome do shopping daqui, em homenagem à sempre homenageada Rainha Victoria. E adoro Victoria, BC, também, embora só tenha estado lá uma vez, por três dias, em 2004 ou 2005, não me lembro.

Fomos a pé, dessa vez, a Paloma e eu (ontem fomos com a van do hotel). O caminho é bonito e curto – uns 15 minutos, por aí. Ao chegar lá gastamos literalmente horas olhando os produtos de artesanato dos diversos blocos de lojas de artesanato fora do shopping em si. Algumas, simples; outras, extremamente sofisticadas. Algumas, bonitas; outras, bastante feias.

Como tomamos café da manhã (reforçado) bastante tarde, resolvemos não comer nada na hora do almoço e ir jantar, à noitinha, no famoso Nobu Restaurant, que fica no The One and Only Hotel, que é parte do complexo do Victoria & Alfred Waterfront (ficando ao lado do Aquarium). Fui jantar pela primeira vez em um Nobu Restaurant em Tóquio, em companhia de meu grande amigo Vicent Quah (um conhecedor como poucos de bons restaurantes). Lá fiquei sabendo que a cadeia de restaurantes Nobu pertence ao eminente chefe Nobu Matsuhisa em sociedade com o não menos eminente Robert De Niro. Vide o artigo sobre a rede na Wikipedia em  http://www.noburestaurants.com/. O chefe Nobu também é dono de uma outra rede de restaurantes com sua família: os Matsuhisa Restaurants (neste caso, sem a parceria com Roberto de Niro). Vide: http://en.wikipedia.org/wiki/Nobu_Matsuhisa.

Mas depois volto brevemente a esse assunto.

Disse que não iríamos comer nada na hora do almoço, mas a Paloma resolveu tomar outro sorvete de dulce de leche no Häagen-Dazs (outro, porque já havia tomado um no dia anterior). Desde que tomou o seu primeiro sorvete de dulche de leche no Häagen-Dazs, algo que aconteceu em Panama City, em Agosto último, a Paloma não pensa em outra sobremesa, se há uma sorveteria Häagen-Dazs na proximidade. (A propósito, não achamos o sorvete de dulce de leche no refrigerador dedicado à Häagen-Dazs no Pão de Açúcar perto de casa em São Paulo).

Depois do sorvete da Paloma, tomamos um drink no mesmo restaurante onde almoçamos ontem: a Paloma um Porto e eu uma dose de brandy. Vinho do Porto é a única bebida alcoólica que a Paloma bebe.

Depois fomos a uma excelente livraria chamada Exclus1ves (http://www.exclus1ves.co.za) – sim, é 1 no lugar do i. Lá encontrei uma biografia de Arthur Koestler, escrita por Michael Scammell, com o título Koestler: The Indispensable Intellectual. Sempre tive interesse em Koestler, que era amigo de Jean-Paul Sartre e de Simone de Beauvoir, casal pelo qual tenho de admitir que tenho uma certa fascinação. Os três foram de esquerda, mas Koestler descobriu muito mais cedo do que os outros dois as falsas promessas e os erros do Comunismo (vide Darkness at Noon). Nos vários livros autobiográficos de Sartre e de Beauvoir Koestler aparece com frequência.

Como já estava muito cansado de andar para todo lado no V&A Waterfront, sentei-me na livraria e comecei a ler pedaços do livro. Li o começo e acabei pulando para o final, porque o começo do livro trata do fim (da morte) de Koestler. Conta o livro (no começo e no fim) que Koestler e sua terceira mulher, Cynthia, 22 anos mais nova, cometeram suicídio juntos quando ele tinha 77 anos e ela 55. Ele estava com Parkinson’s há algum tempo e acabara de saber que tinha também um caso grave de leucemia. Precisava já contar com o apoio de Cynthia para fazer muitas coisas que, anteriormente, fazia sozinho. Por isso, resolveu preservar o que lhe restava de dignidade e buscar a libertação (como dizia) enquanto podia tomar e implementar a decisão sem depender, também para isso, de Cynthia ou de ninguém. Os preparativos foram feitos em relativo segredo, mas chegou o momento em que ele concluiu que tinha de contar a ela, para que, juntos, tomassem providências que lhe garantissem um futuro sem maiores problemas. A surpresa veio aí: ela decidiu acompanhá-lo. Acrescentou, de próprio punho, à nota de suicídio dele, já escrita, o seguinte:

“Tenho medo tanto da morte, em si, como do ato de morrer, mas sei que ambos fazem parte de nosso futuro imediato. . . . Não posso viver sem Arthur, a despeito de possuir certos recursos internos que, buscados, me permitiriam fazê-lo. Um suicídio duplo é algo que nunca teve apelo para mim. Mas, agora, as doenças incuráveis do Arthur chegaram a um estágio tal que concluí que não há nada mais que deva ou possa fazer. Cynthia Koestler.”

Daí para frente fizeram tudo de forma planejada e calculada. Morreram tranquilos, um na frente do outro. Me arrepiou a história – mas fiquei fascinado pela capacidade de duas pessoas de fazerem isso de forma aparentemente racional e planejada.

Li um bocado, mas não comprei o livro na hora. A Paloma estava em outra poltrona lendo um livro sobre o Brasil.

Resolvemos andar mais um pouco pelo shopping, a Paloma comprou um pijama na Woolworth’s (que virtualmente desapareceu nos Estados Unidos mas permanece forte – e chique – aqui) e, depois de mais algumas idas e vindas, fomos jantar.

Eram quase 18h e o restaurante Nobu estava quase vazio. Brigamos um pouco com o menu, mas pedimos: a Paloma, como sempre, em restaurantes japoneses, sashimi, e eu um steak teriyaki. Estavam deliciosos (e lindos) os pratos. Enquanto esperávamos pedimos umas entradas, também. Eu tomei cerveja Kirim (caríssima!) e a Paloma, como sempre, coca-cola. Tudo estava muito bom. Só sinto que não estivéssemos tão elegantemente vestidos para a ocasião…

De lá, voltamos para o shopping e eu não resisti: comprei a biografia do Koestler.

Depois de rodar ainda mais um pouco, voltamos para o hotel, usando, agora, a van do próprio hotel.

À noite, li uns quatro capítulos da biografia do Koestler.

ET: Descobri que meu amigo Julio de Angeli está aqui do lado, noutro hotel, devendo ir embora no Sábado, e que Vanessa Faustini, filha do meu amigo Volney Faustini, também está aqui na cidade. No primeiro dia, quando saímos para ir ao Victoria Wharf, havia na van só nós e dois homens – brasileiros de Belo Horizontes, que trabalham para a Petronas aí no Brasil. Hoje, no safari, encontramos outra brasileira: Jaqueline, que trabalha para a Vivo, em São Paulo. Mas já estou me atropelando).

Em Cape Town, 24 de Outubro de 2010

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Sobre Eduardo Chaves

[English] Eduardo Chaves is responsible for this blog. Eduardo Chaves is a writer, lecturer and consultant (private companies, NGOs, schools), and was a professor of philosophy during 45 years, before retiring from the University. Of these 45 years 70% were spent as Professor of Philosophy and History of Education at the University of Campinas (UNICAMP), in Campinas, SP, Brazil, where he worked in the Department of Philosophy and History of Education of the School of Education. His activity as a lecturer and consultant are the interactions between Change, Innovation, and Technology, in special in the area of Education. As a writer, he has been quite active in this over than 30 blogs since 2004. His writing covers the areas of Philosophy, Theology, Education and Politics (especially from the view point of Classical “Laissez-Faire” Liberalism). Secondarily, his blogs also discuss other areas, such as literature, cinema, and, more rarely, the other arts. He also writes on Epistemology and the Philosophy of Science. He was born on the 7th of September of 1943, is married, and has four daughters. He presently lives in a farm in the rural area of Salto, SP, Brasil, with his wife and professional partner Paloma Epprecht e Machado de Campos Chaves, Professor of Education in the Teacher Certification Program of the Federal Institute of Education, Science and Technology in the State of São Paulo (IFSP), Capivari campus. E-mail: eduardo@chaves.pro Portal de Blogs: https://chaves.space/ Fone: +55 (11) 97984-0000 Impressum: Blog published under the responsibility of: Eduardo O E M C Chaves (Ph.D., M.Div., B.D.) E-Mail: eduardo@chaves.pro E-mail: eduardo@chaves.space E-mail: ec@educhv.com E-mail: chaves@liberal.academy Site: https://chaves.space [Português] Eduardo Chaves é o responsável por este blog. Eduardo Chaves é escritor, palestrante e consultor (empresas, ONGs, escolas), tendo sido professor universitário por 45 anos (função da qual está hoje parcialmente aposentado). Desses 45 anos, mais de 70% foram passados como professor de Filosofia da Educação na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em Campinas, onde por 26 anos foi Professor Titular dessa matéria no Departamento de Filosofia e História da Educação (DEFHE) da Faculdade de Educação (FE). A especialidade em que atua como palestrante e consultor são as interações existentes hoje entre Mudança, Inovação e Tecnologia, em especial na área da Educação. Como escritor, atua principalmente em seus blogs, que cobrem principalmente Filosofia, Teologia, Educação e Política (em especial do ponto de vista Liberalismo Clássico). Secundariamente, seus blogs também discutem outras áreas, como a literatura, o cinema, e, mais raramente, as demais artes. Ele também escreve sobre Epistemologia e Filosofia da Ciência. Ele nasceu em 7 de Setembro de 1943, é casado, e tem quatro filhas. Reside atualmente na zona rural em Salto, SP, Brasil, com sua mulher e parceira profissional, coproprietária deste blog, Paloma Epprecht e Machado de Campos Chaves, professora de educação nas licenciaturas do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), câmpus de Capivari. E-mail: eduardo@chaves.pro Portal de Blogs: https://chaves.space/ Fone: +55 (11) 97984-0000 Impressum: Blog publicado sob a responsabilidade e editoria de: Eduardo O E M C Chaves (Ph.D., M.Div., B.D.) E-Mail: eduardo@chaves.pro E-mail: eduardo@chaves.space E-mail: ec@educhv.com E-mail: chaves@liberal.academy Site: https://chaves.space
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