Uma Notinha Sobre a Experiência no Restaurante Nobu

Ouço o Edu falar sobre o restaurante Nobu desde a primeira vez em que fomos juntos a um restaurante de culinária japonesa.

Até aquele momento o restaurante Kinka Sushi (http://www.sushikinka.com.br/sitekinka/unidade2.html), localizado na Av. Divino Salvador, 61, no bairro de Moema, em São Paulo, era o meu preferido. Ainda hoje eu gosto dele, mas a verdade é que conheci outros melhores depois, e a relação custo-benefício dele, que era ótima, deixou de ser… Os preços subiram muito!

Naquele dia o Edu ficou impressionado com minha capacidade de comer uma quantidade realmente substanciosa de salmão cru… Acho que ele nunca tinha me visto comer tanto, qualquer coisa que fosse, até então.

É verdade que meu entusiasmo me causou sérios problemas… Subitamente senti meu estômago revolto… Era como se todo aquele cardume quisesse fugir rapidamente pela saída mais fácil… Tive de deixar o Edu na mesa me esperando e entrar às pressas no banheiro mais próximo, onde permaneci por um longo tempo, até que aqueles peixes adquirissem sua liberdade esgoto abaixo…

O Edu, ansioso, ficou desesperado, e quase solicitou a alguma pessoa que entrasse no banheiro para ver se eu estava bem. Foi bastante constrangedor. Mas sobrevivemos.

Vendo minha preferência por comida japonesa, ele me contou que havia conhecido o famoso Restaurante Nobu em Tókio, no Japão. A mesma referência que fez em seu post sobre o nosso segundo dia em Cape Town (https://tripsa2010.wordpress.com/2010/10/24/segundo-dia-em-cape-town-victoria-alfred-waterfront-20101022/).

Fiquei impressionada. Na verdade ele contou isso justamente para me impressionar. E conseguiu. Facilmente. (Aliás, já o alertei sobre essa mania que ele tem de impressionar intencionalmente as pessoas que o cercam. Em outras palavras eu disse que ele é meio exibido…).

Desde então, muitos restaurantes japoneses vieram. O Mori Sushi, apresentado a nós pela Ana Ralston (http://www.morisushi.com.br/), o Matsuya da Rua Colônia da Glória (http://www.matsuya.com.br/unidades-/aclimacao.html), o Hiro Sushi, dentro do supermercado Hirota da Av. Nazaré (http://www.hirota.com.br/hirorest/hiro.html), o Edomae Sushi Bar, em Bauru, onde costumo frequentar quando estou a trabalho no município (http://www.guiamais.com.br/local/edomae+sushi+bar-restaurantes-bauru-sp-17971367), dentre tantos outros. O Edomae é o único no qual o Edu não foi comigo, pois sempre estive lá a trabalho.

Com exceção do Mori Sushi que é mais caro, e do Edomae, que tem o preço um pouco acima dos outros, sempre tenho uma preocupação com a relação custo benefício desses restaurantes. Entretanto, eu sabia que se um dia tivesse a honra de conhecer o famoso Nobu (se o leitor compreensivelmente já se esqueceu, é sobre ele que pretendo falar neste post, como sugere o título), não daria para me preocupar muito com o preço. Quando o Edu foi ao Nobu em Tókio, a conta foi gentilmente paga pelo Vincent Quah, da Microsoft, como parte da programação da reunião do PIL APAC Advisory Board (Conselho Consultivo da Região Ásia-Pacífico do Programa Parceiros na Aprendizagem). A Microsoft costuma ser muito generosa com os membros de seus Advisory Boards. Portanto, considerando a excelente qualidade, o Edu sabia que o investimento nesse jantar havia sido à altura de uma empresa como a Microsoft.

Voltando a Cape Town, quando descobrimos que havia uma unidade do restaurante Nobu aqui, decidimos imediatamente que jantaríamos nele. Não podíamos perder a oportunidade. Era um gosto que queríamos nos proporcionar.

O problema é que no dia que decidimos ir, não havíamos nos preparado específicamente para isso. Saímos do hotel cedo, com roupas e sapatos confortáveis, com alguns Rands no bolso (Rand é como se chama a moeda sulafricana, que vale aproximadamente um quarto de Real. Rand é também o sobrenome da escritora preferida do Edu, Ayn Rand – mas isso é apenas uma curiosidade), e apenas um cartão de crédito (que por sinal já nos “deixou na mão” – perdoem a expressão meio chula – algumas vezes, mas ao qual resolvemos dar uma espécie de voto de confiança…).

Após gastar boa parte dos nossos Rands com algumas comprinhas (que se traduziam em sacolinhas de tamanhos e cores diferentes), e com cara de cansados, meio perdidos ainda no fuso horário, usando tênis, calça jeans, e qualquer camisa, chegamos ao imponente lobby do One & Only Hotel, onde fica o restaurante. Pelo nome dá para imaginar a imponência dele…

Vestidos com simplicidade, cheios de sacolinhas, com poucos Rands no bolso, e apenas um cartão de crédito, resolvemos pedir o cardápio, antes sequer de decidir se poderíamos entrar, ou se retornaríamos outro dia, mais preparados. Aquele ato de analisar o cardápio e tirar algumas dúvidas sobre o tipo de serviço (se festival ou a la carte) e valores (se individuais ou para duas pessoas), acabaram por levar os funcionários do restaurante a criar uma imagem, talvez, digamos, não muito positiva, de nós.

Estando ali, de pé, diante daquele restaurante suntuoso, decidimos arriscar o cartão de crédito, pois os Rands realmente não seriam suficientes. Sentamos e fizemos os pedidos, descritos pelo Edu no post já mencionado.

Quando o garçon perguntou qual seria a bebida do Edu, ele rapidamente disse que queria uma cerveja. O garçon ofereceu uma que eu não me lembro, mas o Edu perguntou quais seriam as opções. Ele então respondeu, mencionando três opções, sendo, a última, a famosa e (como disse o Edu em seu post) caríssima Kirin. Nesse momento aconteceu uma situação engraçada que merece um post inteiro para ser registrada. O garçon se afastou da mesa, buscou um cardápio, e trouxe ao Edu, mostrando que a cerveja Kirin era muito mais cara que as outras duas. Quase setenta por cento mais cara. Na verdade o equivalente a cento e trinta e cinco Rands (aproximadamente trinta e três Reais). Então o garçon perguntou para o Edu se ele realmente preferiria aquela cerveja.

A parte mais engraçada veio a seguir. Espantado com o valor da cerveja, com dor no coração (mais precisamente no bolso), mas, ferido em seu orgulho, o Edu encheu a boca para dizer um sono SIM!. Quase pediu duas, para se sentir mais seguro…

Comemos muito bem! Felizmente o cartão passou direitinho… Senão o constrangimento de o Edu ficar lá parado enquanto eu corria até o nosso hotel de taxi para buscar mais dinheiro, ou outro cartão, não seria superado, nem com muita terapia da Dra. Giselle Camara Groeninga… Alegre

Paloma

Em Cape Town, 24 de Outubro de 2010

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Aquila Safari – Quarto Dia em Cape Town (20101024)

Hoje, Domingo, 24/10/2010, fomos fazer nosso mini-safari de um dia (não chega a tanto). Eis o site da empresa, Aquila Safari: http://www.aquilasafari.com/.

Confesso que não estava muito animado – a animação maior era da Paloma, que não se conformava em vir até a África e não ver um safari (ainda que mini) que fosse… Meu desânimo tinha muitas causas: primeira, estar pronto para sair às 5h15 da manhã; segunda, o preço, cerca de 500 reais por pessoa (traslado, café da manhã e almoço incluídos, porém); terceira, a distância, cerca de 180 km ou duas horas de distância (por boas estradas, porém); quarta, o frio que todo mundo dizia que fazia lá nas savanas e montanhas onde ficam as reservas de animais que turistas podem ver; quinta, o ajuntamento de gente; sexta, confesso, um certo medinho de que algo desse errado e a gente virasse sobremesa (espero que fosse sobremesa) de leão…

Bom: foi longe, demorou para ir e voltar, estava frio, foi caro… Mas valeu a pena, especialmente porque não fomos sobremesa de leão (mas vimos um leão e uma leoa tendo uma sobremesa de certo tipo…). E não havia tanta gente assim.

Saímos às 5h15, levamos quase 45 minutos para pegar outras pessoas que foram conosco na van (a terceira pessoa, depois de nós termos sido apanhados – fomos os primeiros, foi uma brasileira, de São Paulo: Jaqueline, que trabalha na Viv0), pegamos a estrada. Chegamos à reserva às 8h05. Tomamos café (muito bom) e às 9h30 saímos num daqueles carrinhos que a gente vê em filme sobre safaris na África.

(Antes de continuar, devo relatar que, no caminho, nossa van matou uma galinha de angola. Duas delas atravessavam, andando, tranquilamente, a rodovia, uma bem atrás da outra – uns 3m. O motorista reduziu a velocidade, deixou a primeira passar, e tentou passar entre as duas. A segunda se assustou, voou e foi apanhada pela van. Triste. Gosto de galinhas de angola).

Quanto ao safari em si, vimos os “big five”: elefantes, rinocerontes, búfalos, leões e leopardo (vide, a respeito dos “big five”, o seguinte artigo na Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Big_Five_game).

Boa parte dos leões que vimos estavam soltos no espaço (num quadrado de vários alqueires, reservado para eles). Não nos molestaram. Nem se incomodaram com nossa presença. Olharam-nos (de relativamente perto), totalmente “bored”.

Ao final, porém, vimos um leão e duas leoas num cercado menor, perto da sede. Acho que estão ali para que todos possam chegar bem perto deles sem medo de uma reação. Os três pareciam totalmente entediados, deitados, cochilando. De repente, porém, o leão se levantou, caminhou devagarinho até uma das leoas, fez um chamego nela (deu-lhe um cheiro na nuca, mais ou menos), ela se levantou, ele foi atrás e cheirando e lambendo “as partes” dela, ela se sentou no chão, ele trepou em cima dela e vapt-vupt. Em uns cinco segundos, no máximo, deu um urrozinho, saiu de cima dela, e deitou no chão, extenuado. Parecia morto. Ela olhou para ele com uma cara de que quem perguntava: o que foi que houve? alguém viu alguma coisa? Continuou deitadona, lá, tranquila… Enfim, os dois desavergonhados transaram ali na nossa frente, sem a menor cerimônia. E sem a menor emoção (exceto por um urrinho meio para cumprir formalidade… Captei toda a sequência em fotos na minha Canon Rebel….

Vimos ainda hipopótamos, girafas, zebras, gnus, avestruzes, cheetahs, crocodilos, javalis, etc.

Enfim, um belo passeio que valeu os mil reais. (O almoço também estava muito bom).

Eduardo

Em Cape Town, 24 de Outubro de 2010 (dia do que seria o aniversário de minha avó paterna, estivesse ela viva)

 

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Tour da Cidade e Table Mountain – Terceiro Dia em Cape Town (20101023)

No terceiro dia em Cape Town (23/10/2010, Sábado) resolvemos tomar o ônibus vermelho de dois andares, estilo londrino (andar de cima aberto), e dar uma volta pela cidade, parando na Table Mountain, pegando o bondinho, e subindo, do nível do mar para mais de mil metros de atitude. Foi uma experiência que tentarei relatar de forma resumida, deixando, sempre que possível, superlativos de fora, porque o lugar é inteiramente superlativo, como se pode ver nesta foto (da qual compramos um poster): 

Table Mountain - 1

A primeira parte da excursão pela cidade não foi tão impressionante.  O centro da cidade é muito bonito. Na realidade, há algumas partes do centro que são realmente lindas.

Mas estávamos ansiosos para subir até o topo da Table Mountain. Quando o dia fica nublado, não adianta subir porque não se vê quase nada. Em dias de vento muito forte (e aqui venta!) o bondinho para de funcionar, porque balança muito. No dia 23 (ontem, pois escrevo no Domingo, dia 24), o dia estava quase perfeito – exceto pelo frio que fez lá em cima.

Esperamos um bocado para conseguir subir. No bondinho cabem 65 pessoas e ele sobe rápido (sempre havendo um que sobe e um que desce ao mesmo tempo). Mesmo assim, esperamos, na fila para comprar o ingresso e na fila de embarque, quase uma hora. Mas valeu a espera.

Eis algumas das fotos que tirei lá de cima:

IMG_2616 IMG_2533 IMG_2624IMG_2664 IMG_2641IMG_2683 

De lá de cima pudemos ver o centro da cidade, o stadium da Copa, as praias mais próximas do centro. Mas as nuvens logo chegaram e cobriram boa parte de nossa vista (por isso, na minha foto, parece que eu estou literalmente nas nuvens…). Tentamos ir para o outro lado da montanha, andando por umas trilhas até meio perigosas, para ver o Oceano Índico… mas as nuvens chegaram antes da gente…

De qualquer maneira, o lugar é lindo – mais do que isso: fantástico. Justifica-se o movimento para torná-lo uma das Sete Novas Maravilhas da Natureza (vide http://www.votefortablemountain.com/).

Almoçamos lá em cima, num restaurante gostoso, ficamos um tempão por lá. Depois, descemos, quando já passava das 16h.

De lá, pegamos novamente o ônibus vermelho de dois andares, que, para nossa surpresa e prazer, voltou por outro caminho, passando por aluns lugarejos na costa e por algumas praias muito bonitas, a saber: Camps Bay, Clifton, Bantry Bay, Sea Point, Three Anchor Bay…

Descemos no Victoria Wharf, jantamos lá, comprei um poster da montanha, e voltamos com a van do hotel – cansadíssimos.

Eduardo

Em Cape Town, 24 de Outubro de 2010

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Segundo dia em Cape Town: Victoria & Alfred Waterfront (20101022)

Em nosso segundo dia em Cape Town (22/10/2010, Sexta-Feira) tomamos café da manhã no hotel (Southern Sun at the Watefront) e voltamos ao Victoria Wharf – na verdade, ao Victoria & Alfred Waterfront (Alfred, pelo que consta, era o príncipe, filho da rainha). O Waterfront é todo um complexo que é maior do que apenas o Victoria Wharf, que é o shopping convencional (chique e bonito) que faz parte do complexo. Há, fora do shopping, propriamente dito, vários blocos de lojas de artesanato, hotéis, restaurantes, o aquário da cidade, um estaleiro para barcos de pequeno e médio porte, uma marina… É uma beleza de lugar. Vide a foto:

Cape_Town-Victoria_and_Alfred_Waterfront

Victoria Wharf - 2

O Victoria & Alfred Waterfront faz-me lembrar o “harbor” (ou, se preferem, à inglesa, o “harbour”) de Victoria, na British Columbia, Canada – cidade que tem o mesmo nome do shopping daqui, em homenagem à sempre homenageada Rainha Victoria. E adoro Victoria, BC, também, embora só tenha estado lá uma vez, por três dias, em 2004 ou 2005, não me lembro.

Fomos a pé, dessa vez, a Paloma e eu (ontem fomos com a van do hotel). O caminho é bonito e curto – uns 15 minutos, por aí. Ao chegar lá gastamos literalmente horas olhando os produtos de artesanato dos diversos blocos de lojas de artesanato fora do shopping em si. Algumas, simples; outras, extremamente sofisticadas. Algumas, bonitas; outras, bastante feias.

Como tomamos café da manhã (reforçado) bastante tarde, resolvemos não comer nada na hora do almoço e ir jantar, à noitinha, no famoso Nobu Restaurant, que fica no The One and Only Hotel, que é parte do complexo do Victoria & Alfred Waterfront (ficando ao lado do Aquarium). Fui jantar pela primeira vez em um Nobu Restaurant em Tóquio, em companhia de meu grande amigo Vicent Quah (um conhecedor como poucos de bons restaurantes). Lá fiquei sabendo que a cadeia de restaurantes Nobu pertence ao eminente chefe Nobu Matsuhisa em sociedade com o não menos eminente Robert De Niro. Vide o artigo sobre a rede na Wikipedia em  http://www.noburestaurants.com/. O chefe Nobu também é dono de uma outra rede de restaurantes com sua família: os Matsuhisa Restaurants (neste caso, sem a parceria com Roberto de Niro). Vide: http://en.wikipedia.org/wiki/Nobu_Matsuhisa.

Mas depois volto brevemente a esse assunto.

Disse que não iríamos comer nada na hora do almoço, mas a Paloma resolveu tomar outro sorvete de dulce de leche no Häagen-Dazs (outro, porque já havia tomado um no dia anterior). Desde que tomou o seu primeiro sorvete de dulche de leche no Häagen-Dazs, algo que aconteceu em Panama City, em Agosto último, a Paloma não pensa em outra sobremesa, se há uma sorveteria Häagen-Dazs na proximidade. (A propósito, não achamos o sorvete de dulce de leche no refrigerador dedicado à Häagen-Dazs no Pão de Açúcar perto de casa em São Paulo).

Depois do sorvete da Paloma, tomamos um drink no mesmo restaurante onde almoçamos ontem: a Paloma um Porto e eu uma dose de brandy. Vinho do Porto é a única bebida alcoólica que a Paloma bebe.

Depois fomos a uma excelente livraria chamada Exclus1ves (http://www.exclus1ves.co.za) – sim, é 1 no lugar do i. Lá encontrei uma biografia de Arthur Koestler, escrita por Michael Scammell, com o título Koestler: The Indispensable Intellectual. Sempre tive interesse em Koestler, que era amigo de Jean-Paul Sartre e de Simone de Beauvoir, casal pelo qual tenho de admitir que tenho uma certa fascinação. Os três foram de esquerda, mas Koestler descobriu muito mais cedo do que os outros dois as falsas promessas e os erros do Comunismo (vide Darkness at Noon). Nos vários livros autobiográficos de Sartre e de Beauvoir Koestler aparece com frequência.

Como já estava muito cansado de andar para todo lado no V&A Waterfront, sentei-me na livraria e comecei a ler pedaços do livro. Li o começo e acabei pulando para o final, porque o começo do livro trata do fim (da morte) de Koestler. Conta o livro (no começo e no fim) que Koestler e sua terceira mulher, Cynthia, 22 anos mais nova, cometeram suicídio juntos quando ele tinha 77 anos e ela 55. Ele estava com Parkinson’s há algum tempo e acabara de saber que tinha também um caso grave de leucemia. Precisava já contar com o apoio de Cynthia para fazer muitas coisas que, anteriormente, fazia sozinho. Por isso, resolveu preservar o que lhe restava de dignidade e buscar a libertação (como dizia) enquanto podia tomar e implementar a decisão sem depender, também para isso, de Cynthia ou de ninguém. Os preparativos foram feitos em relativo segredo, mas chegou o momento em que ele concluiu que tinha de contar a ela, para que, juntos, tomassem providências que lhe garantissem um futuro sem maiores problemas. A surpresa veio aí: ela decidiu acompanhá-lo. Acrescentou, de próprio punho, à nota de suicídio dele, já escrita, o seguinte:

“Tenho medo tanto da morte, em si, como do ato de morrer, mas sei que ambos fazem parte de nosso futuro imediato. . . . Não posso viver sem Arthur, a despeito de possuir certos recursos internos que, buscados, me permitiriam fazê-lo. Um suicídio duplo é algo que nunca teve apelo para mim. Mas, agora, as doenças incuráveis do Arthur chegaram a um estágio tal que concluí que não há nada mais que deva ou possa fazer. Cynthia Koestler.”

Daí para frente fizeram tudo de forma planejada e calculada. Morreram tranquilos, um na frente do outro. Me arrepiou a história – mas fiquei fascinado pela capacidade de duas pessoas de fazerem isso de forma aparentemente racional e planejada.

Li um bocado, mas não comprei o livro na hora. A Paloma estava em outra poltrona lendo um livro sobre o Brasil.

Resolvemos andar mais um pouco pelo shopping, a Paloma comprou um pijama na Woolworth’s (que virtualmente desapareceu nos Estados Unidos mas permanece forte – e chique – aqui) e, depois de mais algumas idas e vindas, fomos jantar.

Eram quase 18h e o restaurante Nobu estava quase vazio. Brigamos um pouco com o menu, mas pedimos: a Paloma, como sempre, em restaurantes japoneses, sashimi, e eu um steak teriyaki. Estavam deliciosos (e lindos) os pratos. Enquanto esperávamos pedimos umas entradas, também. Eu tomei cerveja Kirim (caríssima!) e a Paloma, como sempre, coca-cola. Tudo estava muito bom. Só sinto que não estivéssemos tão elegantemente vestidos para a ocasião…

De lá, voltamos para o shopping e eu não resisti: comprei a biografia do Koestler.

Depois de rodar ainda mais um pouco, voltamos para o hotel, usando, agora, a van do próprio hotel.

À noite, li uns quatro capítulos da biografia do Koestler.

ET: Descobri que meu amigo Julio de Angeli está aqui do lado, noutro hotel, devendo ir embora no Sábado, e que Vanessa Faustini, filha do meu amigo Volney Faustini, também está aqui na cidade. No primeiro dia, quando saímos para ir ao Victoria Wharf, havia na van só nós e dois homens – brasileiros de Belo Horizontes, que trabalham para a Petronas aí no Brasil. Hoje, no safari, encontramos outra brasileira: Jaqueline, que trabalha para a Vivo, em São Paulo. Mas já estou me atropelando).

Em Cape Town, 24 de Outubro de 2010

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Viagem e primeiro dia em CapeTown: 20101020-21

Saímos de São Paulo na quarta-feira, ontem, 20 de Outubro de 2010, para vir para Cape Town (Cidade do Cabo), participar do WorldWide Innovative Education Forum, que terá lugar de 26 a 29 deste mês. (Na verdade, a Paloma só fica até o dia 26, pois tem de voltar no dia 27 para pegar as meninas na sexta, ao meio dia, para o fim de semana e feriado de Finados. Eu volto no dia 30, sábado).

Enfrentamos um trânsito horrível na Marginal do Tietê. Pensei que iríamos perder o voo. Mas felizmente deu certo (exceto pelo plano de deixar o carro na casa da Patrícia, irmã da Paloma, em Guarulhos: deixamos o carro no longterm parking do aeroporto).

O vôo da South African Airways – SAA (membro da Star Alliance) saiu de São Paulo às 19h, chegando a Johannesburg hoje às 7 da manhã. Como Johannesburg está quatro horas na frente, o voo saiu, na verdade, às 23h, hora daqui. Levou, portanto, oito horas.

No aeroporto de Johannesburg (grande, bonito e organizado) ficamos cerca de duas horas e meia, porque o voo para Cape Town (também pela SAA) saiu às 9h30.

Curioso que passamos pela Imigração sem ter preenchido os papelitos – porque no avião eles se desculparam por não ter os ditos cujos e, no aeroporto, nos disseram que não seria necessário. Nenhuma burocracia. Ganhamos acesso como turistas por 90 dias, até dia 20/01/2011.

Tivemos de pegar nossas malas e passar com elas pela Alfândega, também sem problemas. Depois das alfândegas, entregamos as malas aos funcionários da SAA. 

Chegando ao Terminal de Embarque Doméstico (grudado ao Terminal de Desembarque Internacional) tivemos nossa primeira experiência com a cultura de subdesenvolvimento… À porta da passagem um sorridente nativo nos perguntou qual o nosso portão de embarque. Dissemos. Ele começou a nos guiar. Depois de pouco tempo, percebemos que era totalmente desnecessária a “guiagem”, pois o aeroporto era muito bem sinalizado. Disse a ele que podia deixar que seguiríamos sozinho. Ele disse “At your service, sir!” e meio que estendeu a mão para a gorjeta – apesar de ser funcionário uniformizado do aeroporto. Dei-lhe um dólar, meio a contragosto. No caminho outros se ofereceram para nos guiar.

Ao embarcar para Cape Town aconteceu algo interessante. Tínhamos reservado lugares lado a lado, 11 A e B. No embarque, apresentei os dois bilhetes, e a funcionária, olhando na tela, riscou 11B do meu bilhete e escreveu 4A. Eu perguntei por que e ela disse que eu estava recebendo um upgrade para a Classe Executiva. Nem me perguntou se queria. Disse que queríamos viajar juntos, a Paloma e eu. Ela mandou falar com a Comissária de Bordo. No avião, expliquei a situação para a Comissária, que mandou eu me sentar no local original, dizendo que, se chegasse alguém para aquele lugar, eu deveria remeter-lhe para o lugar da Executiva que me havia sido atribuído (em função de meu status 1K na United). Logo chegou uma senhora moça, simpática, com duas meninas – uma com cerca de 12-13 anos, a outra com  cerca de 8-9. Ela tinha dois lugares na fila 12 e o meu 11E. Expus a ela a situação e a menina de 12-13 virtualmente atropelou a mãe, aceitando ir para a Executiva. Agradeceu, sorriu e para lá foi…

Chegamos a Cape Town na hora do almoço (11h30, horal local, 4 na frente de SP). Fizemos boa viagem.

Tomamos um shuttle bus até o centro da cidade (50 Rand por pessoa, cerca de 12,50 reais). De novo, um monte de gente sorridente e solícita tentando ajudar, em troca de uma gorjeta. Na cidade descemos no Civic Center (ponto final) e tomamos um taxi, dirigido por uma senhora enormemente gorda. O taxi ficou em 50 Rand também (para os dois, neste caso).

Como o checkin no hotel era a partir das 14, almoçamos no hotel e ficamos rodando por ali. Às 14h viemos para o quarto. Eu cochilei um pouco (estava meio exausto, porque peguei um resfriado no caminho) e a Paloma ficou enviando uns e-mails, depois de tomar um banho de banheira.  

À noitinha fomos para o Victoria Wharf, o shopping, no porto, mais lindo e charmoso daqui (o porto todo é lindo). Na verdade, a combinação de mais de 400 lojas e restaurantes é o local mais visitado por turistas em toda a África do Sul, segundo o mapa que recebemos.

Jantamos no Krubmann´s Grill um prato de carne e camarão. Delicioso – mas o serviço deixou a desejar: demorou quase uma hora para o prato principal chegar. Depois a Paloma tomou um sorvete de dulce de leche no Häagen-Dazs.

Voltamos para o hotel numa van do hotel (na qual também fomos para o shopping – 20 Rand ou 5 Reais por pessoa, em cada direção).

Agora estamos aqui no quarto, cada um pagando por um acesso à Internet diferente…

Com isso, termina nosso primeiro dia na África. A primeira vez na África, para nós dois. Essa é a sétima viagem internacional que a Paloma e eu fazemos juntos. Ei-las todas:

Setembro de 2008 – Guatemala

Dezembro de 2008-Janeiro de 2009 – Portugal, França, Suíça, Inglaterra

Julho de 2009 – Estados Unidos (com as meninas)

Setembro de 2009 – Argentina

Janeiro de 2010 – Inglaterra, Alemanha, Portugal, Espanha

Agosto de 2010 – Panamá

Outubro de 2010 – África do Sul

Eduardo

Em Cape Town, no Southern Sun Hotel at the Waterfront, 21 de Outubro de 2010

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